O homoerotismo é uma expressão da sexualidade humana e independente da localização geográfica. Desde os primórdios da humanidade que os
Homens (homens e mulheres), seja por mero desejo, motivos religiosos, em rituais ou devido à ausência do sexo oposto, envolvem-se em actos homoeróticos ou assumem papéis de género do sexo oposto.


Este mito foi construído em África pelos primeiros exploradores e missionários europeus influenciados pela moralidade judaico-cristã dos seus países de origem. Estes retrataram os povos nativos como seres primitivos, isto é, muito próximos aos animais, culturalmente inferiores, incapazes de amar e de ter desejos sexuais por indivíduos do mesmo sexo. Para estes, o negróide tal qual os animais, dedicava toda a sua energia sexual somente para a procriação. Usaram assim essa imagem construída do negróide para defenderem uma falsa naturalização da heterossexualidade, com o objectivo de se oporem ao que acreditavam ser uma corrupção da natureza humana promovida pela civilização europeia moderna. Ressalvar que nesta altura pouco era conhecido sobre relações homossexuais no reino animal.
Antropólogos em estudos posteriores apontam para uma grande variedade de manifestações homoeróticas entre os povos africanos nativos, dentre eles os guerreiros Azande no norte do Congo que casavam com rapazes que temporariamente assumiam o papel de suas mulheres. Como os Azende, os Bala, os Shona.
O tabu em torno da homossexualidade em África é baseado na moralidade judaico-cristã ocidental e não na africana. Perpetuar este mito é perpetuar o racismo contra os africanos, é apagar a nossa história e ignorar as várias dimensões e a multiculturalidade do continente africano e seus povos.

Fonte: Stephen O. Murray and Will Roscoe "Boy-Wives and Female Husbands, Studies in Africa Homossexualities", Marc Epprecht "Heterosexual Africa – History of an Ideia from the Age of Exploration to Age of AIDS"


Saiba mais em  pdf
(235 KB)

Mitos-e-Factos(click na imagem para fazer download)